Surpreendente

2009 Novembro 24
por Vinny

É impressionante. Não é segredo que eu adoto uma postura bastante low-profile em minha vida. E eu sempre me surpreendo: por mais que eu ache que sou irrelevante, bem como minhas opiniões e ideias, ainda assim outras pessoas param para ouvir/ler aquilo que eu digo/escrevo.

Para alguém que até pouco tempo vivia enclausurado num mundinho suburbano fechado, é algo fenomenal. Quem poderia imaginar, um ano atrás, que eu conheceria jornalistas, publicitários, gente que é “famosa” em seu ramo de atuação? Quem poderia imaginar que eu ficaria amigo de uma pessoa que conheci por acaso na internet e pela qual tenho profundo respeito e admiração? Quem poderia imaginar que outra pessoa poderia, por causa de coisas que escrevo, se interessar pelo meu blog e já recomendá-lo a outras pessoas?

E sabem o que é pior? Eu não sou o escritor mais aplicado do mundo: estou cuidando de outro blog, à convite de um amigo, numa tentativa de faturar uma graninha com ele. Já estou com quase duas semanas de textos atrasados, e quem diz que consigo dar conta do ritmo? E olhem que  a proposta é de 3 textos por semana.

Entretanto, eu gosto de escrever. Ser preguiçoso para fazê-lo é um porre, fato, mas pelo menos eu escrevo porque quero. Admiro as pessoas que fazem da escrita o seu ganha-pão, ainda mais quando o fazem de maneira bem feita, porque sei que eu seria incapaz de fazê-lo.

E é isso, um post curto só para tirar um pouco da poeira do blog… ;)

Escrever é preciso, viver não é preciso

2009 Novembro 16
por Vinny

Volta e meia eu falo isso: minha relação com a escrita é conturbada, mas é algo que me faz bem.

Porém, é difícil encontrar um bom caderno, que resista ao teste do tempo: tenho alguns cadernos antigos já, da época em que jogava RPG com frequência, que mesmo não sendo mais manuseados estão se deteriorando. Isso tem a ver com a forma como foram feitos: papel fabricado com solúção ácida, capa de baixa qualidade, o aço das espirais está enferrujando e por aí vai.

Uma excelente alternativa são os chamados moleskines, cadernos de origem européia (mas atualmente fabricados na China, como todo o resto) de alta qualidade: papel alcalino, folhas costuradas para permitir a abertura total sem depressão central, capa resistente, entre outras qualidades.

Problema: moleskines são caros. Porém, como já estão circulando por aí há mais de um século, não há impedimentos para que outras empresas além da Moleskine fabriquem suas versões. Leia mais…

Sobre violência urbana e solidariedade

2009 Novembro 8
por Vinny

Aos leitores do blog, primeiro minhas desculpas: este post deveria ter sido publicado há mais tempo (na sexta-feira, dia 06/11 para ser mais exato), mas a Oi me fez o imenso favor de interromper o serviço de telefone e o Velox daqui de casa.

Como contei no Twitter, eu tive nesta sexta-feira uma arma apontada para mim. Perdoem-me se eu não contar a história com mais detalhes, mas é puramente por motivos de segurança.

Leia mais…

Feliz aniversário, Mirian Bottan!

2009 Novembro 5
por Vinny

Remember, remember the fifth of November,
Gunpowder, treason, and plot,
I know of no reason why the gunpowder treason birthday of Mirian
Should ever be forgot.

Como meus leitores mais antigos já sabem, desde a Campus Party deste ano a Mirian Bottan tornou-se a musa deste blog.

O que eu não poderia imaginar é que algo que começou como uma simples homenagem poderia se tornar uma boa amizade. Tá certo, ela mora em Americana e eu no Rio de Janeiro, mas volta e meia trocamos algumas palavras pela internet. E posso afirmar: ainda assim eu tenho mais contato e intimidade com ela do que com algumas pessoas que até poucos anos atrás conviviam comigo.

Mirian, parabéns pelos 23 anos de vida. Muita saúde, paz e sucesso na sua jornada.  São os votos de um leitor fiel e amigo.

PS.: Sim, a mudança no poema da Traição da Pólvora foi tosca. Mas eu não pude resistir… :P

Sobre paixões

2009 Novembro 4
por Vinny

Paixão: este é um sentimento complicado de se lidar. E não digo apenas do sentimento romântico, mas de paixão de uma forma ampla e irrestrita.

Podemos nos apaixonar por tantas coisas… Os exemplos são infindáveis: pessoas, animais, séries de TV, novelas, filmes, personagens, esportes, times de futebol, carros. Pense em algo, qualquer coisa: certamente haverá alguém apaixonado por tal coisa.

Mas a paixão também é perigosa, pois pode ser usada para manipular as pessoas. E os exemplos mais claros são exatamente aqueles mais próximos: religião e esporte.

O ser humano tem a necessidade da segurança na vida, de saber onde está pisando. Não vou me estender neste tópico, pois também existe a necessidade de nos arriscarmos para crescermos como pessoas; mas sobre isso eu já divaguei anteriormente.

Esta necessidade é uma resposta evolutiva: nós, humanos, somos os mais frágeis seres vivos quando nascemos. Somos totalmente dependentes de nossos pais em nossos primeiros anos de vida. Nos primeiros meses, então, nem se fala.

À medida em que crescemos, ao nos afastarmos da proteção familiar percebemos que o mundo lá fora é hostil. Os primeiros seres humanos também perceberam isso, e dotados de pensamento, começaram a conjecturar sobre a natureza. E num processo de analogia, se perguntaram: será que por um acaso tudo isto que ocorre ao nosso redor é arquitetado por um (ou vários) ser(es) maior(es)? Estava lançada a semente da religião.

Porque ela nada mais é do que a extensão da necessidade do ser humano em se sentir protegido e, ao mesmo tempo, sentir-se parte de algo maior do que si mesmo. E não demorou muito para aparecerem os aproveitadores.

O esporte segue na mesma linha. Praticar esportes é saudável, não há sombra de dúvidas. Mas a evolução nos deu também outra característica: a necessidade de competição. Nós somos um dos seres mais competitivos deste planeta, pode reparar. E isso é estimulado desde a mais tenra idade: eu me lembro claramente de quando era bem pequeno, a minha mãe propondo disputas entre meu irmão e eu para ver quem colocava as meias mais rápido…

O culto ao corpo não é novo, muito pelo contrário: podemos ver que a antiga civilização grega prezava os atletas, já que eles eram os intermediários entre os homens e os deuses na grande celebração religiosa (olha ela aí de novo!) que eram os Jogos Olímpicos. E aqueles que por algum motivo não podiam competir torciam por seus atletas favoritos.

Roma soube se aproveitar muito bem dessa fascinação humana pelo esporte. Muitos falam da Democracia grega ou da República romana, mas poucos sabem que somente os cidadãos das cidades tinham direito de voto; e o conceito de cidadão era radicalmente distinto do que temos hoje: somente membros das famílias que fundavam as cidades tinham o direito de serem cidadãos, sendo também envolto pela religiosidade tal título.

Enfim: quando Roma tornou-se um Império, os governantes perceberam que a grande massa da população, formada por escravos e pequenos comerciantes e artesãos, excluídos da vida pública por não serem cidadãos, precisavam de algo que os fizessem esquecer das agruras da vida cotidiana. Algo que insuflasse suas paixões, satisfizesse seus egos.

Como a religião era privilégio dos cidadãos, a opção escolhida foi a competição esportiva. Não é à toa que esta política recebeu o nome de “Pão e Circo”: as necessidades físicas eram supridas pela distribuição pública de comida; as necessidades psicológicas de inclusão eram supridas pela arena de gladiadores.

Se pararmos para pensar, não é muito diferente hoje. Sábado passado eu fui ver no Maracanã Flamengo e Santos. E pude perceber todos os elementos lá presentes: comportamento de massa, a euforia pelo gol do Adriano e pelas defesas do Bruno, a apreensão nos ataques do Santos.

Eu já levei esporro por dizer que futebol é apenas um jogo. Essa pessoa disse que o considerava algo maior, uma oportunidade de integração, onde podemos compartilhar nossos sentimentos e momentos juntos, mesmo que sejam apenas palavrões.

Não nego que isso aconteça, mas sinceramente?

Prefiro focar minha paixão em algo que me dá um resultado muito mais imediato: pessoas. Afinal de contas, o que o Flamengo tem a me oferecer caso, por exemplo, seja campeão brasileiro? Eu ficarei eufórico, tirarei onda da cara de meus amigos que não são flamenguistas, poderei berrar no meio da rua “É CAMPEÃO, PORRA!” sem ser recriminado.

E daí? Euforia passa. No ano seguinte haverá uma nova disputa pelo título. E por mais que eu goste do Flamengo, ele não paga minhas contas. Ele não me dá atenção quando preciso dela. Porque sou apenas mais um torcedor no meio da Nação Rubro-Negra.

Já com pessoas, a coisa muda de figura. É bom estar entre amigos, falando besteira, rindo. É bom compartilhar momentos juntos, sejam bons ou ruins. É bom poder se emocionar com os outros, alegrar-se com suas alegrias, entristecer-se com suas tristezas.

Por mais que eu goste do Flamengo, nada que ele faça me dará a satisfação de ver um sorriso sincero de alguém que recebeu um presente desejado, mas inesperado, depois de um dia ruim. Ou de saber que, mesmo sem nunca ter me visto pessoalmente, alguém se preocupa comigo.

Eu sou um apaixonado pela vida e pelas pessoas. Eu apanho um bocado por causa disso, mas não reclamo. As decepções me mostram que ainda estou vivo, que ainda me importo, que não sou insensível. Que sou humano.

E meus acertos mostram que aindo tenho esperança.

Pensamentos aleatórios 2

2009 Novembro 2
por Vinny

Eu não sou de sair para boates e afins. Explico: eu tenho um problema de audição. Não é nada grave, eu tenho dificuldade para ouvir sons e ruídos de baixa intensidade, especialmente no ouvido direito.

Ao mesmo tempo, eu tenho hipersensibilidade auditiva, ou seja: não escuto bem ruídos baixos e sou muito suscetível aos ruídos muito altos. Depois que descobri isso eu entendi o porquê de sempre quando eu saía eu ficava tão mal, mas tão mal, que precisava ficar de cama no dia seguinte, tamanha era a dor de cabeça.

Daí eu comecei a apenas frequentar eventos sociais mais tranquilos, como saídas para o bar, churrascos e coisa e tal. E nessas restrições auto-impostas eu incluí o futebol. Não o futebol na TV, mas no estádio.

Sábado passado eu fui ao Maracanã e descobri que, além de ser uma experiência tolerável pela minha audição debilitada, é algo muito revigorante. Ver o Flamengo ganhar, mesmo depois de ter marcado contra si dois pênaltis claramente armados foi muito, MUITO bom.


Daí que feriado na segunda é uma boa pedida para colocar o papo em dia. E eu nunca escondi: meu irmão sempre foi meu melhor amigo. Mesmo morando juntos, temos nossas atividades e afazeres e nem sempre temos o tempo que eu gostaria para simplesmente conversarmos.

E como eu sinto falta disso. Por mais que eu converse com outras pessoas via Twitter/MSN/Skype/whatever, não há nada que se compare com o bom e velho bate-papo. Acabei descobrindo que um amigo de infância nosso se afastou de nós por um mal entendido e por orgulho besta. Pôxa, eu gosto da companhia dele, sua esposa é bacana e foi nossa amiga também. Mas a vida segue.

E eu me peguei pensando ontem exatamente sobre isso. Meus amigos antigos estão se afastando, seguindo seus rumos, apesar das tentativas minha e de meu irmão de manter todos juntos. E é por isso que eu apelo para a internet, para conhecer gente nova. Até agora não tenho me arrependido, apesar das dificuldades de poder levar a amizade para o mundo real.

Exemplo: eu conheci a Fernanda Mirtes (@mirtes) há uns 4 meses, no Brothers Hostel, em Botafogo. De lá para cá nunca mais nos vimos pessoalmente, mas mantivemos o contato pelo Twitter. E ontem, num dia particularmente ruim para mim (mais sobre isso em breve), ela se mostrou solidária. Um exemplo ainda mais extremo é a Joice Viana (@JoiceViana), que fez a mesma coisa, sendo que eu nunca a conheci pessoalmente: eu soube de sua existência quando conheci o Diário de Solteiro (blog do qual ela não faz mais parte).

É bacana saber que há pessoas que se importam comigo, mesmo nunca tendo visto minha fuça na vida. E é por isso que eu não achei estranho ficar alegre quando ela e o Fernando (@tucori) anunciaram o noivado. Fiquei feliz mesmo. E se puder eu apareço em Petrópolis no dia 20 agora para lhe dar um presente de aniversário. :)

E eu poderia citar tantas outras pessoas, que seria até injusto com aquelas que inevitavelmente ficarão de fora. Mas eu preciso citar também o Marcel, do blog Byte Que Eu Gosto. O cara é conhecido por fazer piadas “ruins” no Twitter, mas só ele conseguiu me fazer rir de mim mesmo ontem. E eu faço uma promessa: no dia em que eu aparecer em Recife, eu faço questão de me encontrar com ele para jogarmos conversa fora.


Pessoas podem ser contraditórias. Eu, por exemplo: neste ano que passou, meu interesse pelo poker cresceu a um ponto onde eu comecei a estudar seriamente o jogo. Passei a ler livros, fóruns e sites, descobri que na internet há pouca coisa gratuita (de boa qualidade) disponível para estudo. Comecei a jogar a dinheiro, quebrei, corrigi falhas, e agora estou recuperando aos poucos o prejuízo.

E nossa vida se assemelha muito a uma partida de poker, ainda mais pelo fato de que quase nunca dispomos de todas as informações possíveis para nossa tomada de decisão. Uma das habilidades mais prezadas pelos jogadores é a leitura do comportamento dos adversários, usando a linguagem corporal a nosso favor.

E é aí que chego no assunto que realmente queria abordar: eu posso estar me tornando um jogador de poker decente (que sabe que ainda precisa aprender muito), mas eu falho miseravelmente neste grande Jogo da Vida (trocadilho intencional) que é a busca pela tão falada cara-metade.

Eu não sei jogar esse jogo. Neste aspecto, é como se eu jogasse com minhas cartas abertas, dando uma enorme vantagem aos outros jogadores. Eu sou o tipo de pessoa que se joga mesmo, vivo intensamente a paixão. Na única vez em minha vida em que agi como um canalha isso deu certo.

O problema é que, de tão arrependido que fiquei com o que fiz com minha namorada na época, resolvi ser um cara bozinho. De lá para cá eu só tenho tomado diretos do Mike Tyson na cara.

Em agosto eu comecei a interagir no Twitter com uma mulher linda, divertida e pervertida na medida certa :twisted: . Eu acredito (com grandes chances de estar errado, é apenas minha impressão) que no início até rolou um certo interesse por parte dela, que acabou não vingando. Eu já falei que odeio MSN, não? Pois nós tivemos, naquela fase inicial de conhecer um ao outro, um chat que durou mais de 3 horas e meia de duração, e com as webcams ligadas.

Ao longo das semanas o papo fluía e o idiota aqui acabou se apaixonando. Obviamente o sentimento não era recíproco. E ontem eu comecei a me dar conta que, por mais que eu goste dela, por mais que eu ache que pudéssemos nos dar super bem como casal, com características pessoais que complementam um ao outro de maneira bacana, não vale a pena investir em algo que não irá acontecer.

Ninguém gosta de ser rejeitado, ainda mais quando falamos de um sentimento tão forte quanto a paixão. E isso dói. Eu sei que passa, não é uma situação estranha para mim. Mas dói do mesmo jeito, na mesma intensidade, ou talvez até mais forte do que antes.

A amizade, por mais que amenize um pouco a situação, não me satisfaz plenamente, pelo menos neste momento inicial. Mas é o que tenho, e não reclamo.


Nunca tive vergonha em admitir que choro, sofro, me alegro, me extasio. Porque sentimentos fazem parte da natureza humana. Negar os sentimentos é negar a condição humana e isso é algo com o qual eu não posso concordar. Que se foda se me acham chorão, viado ou qualquer outro adjetivo pejorativo: esse sou eu.

A vontade que dá é de me meter num mosteiro e me afastar da convivência das pessoas “mundanas”. Acontece que eu amo o desafio. Estou trabalhando num cargo público, mas minha intenção é abrir uma empresa no futuro, ser dono do meu próprio nariz. Ainda não concluí o curso superior, por circunstâncias da vida alheias à minha vontade, mas ainda pretendo voltar à faculdade.

E eu não me contento com prêmios de consolação. Porque, obviamente, já tive mulheres interessadas por mim. Mas eu me recuso a me envolver só porque estou carente, eu quero que o sentimento seja mútuo. Prefiro morrer sozinho mas buscando esse alguém incansavelmente do que me contentar com alguém que estava disponível por perto. “Antes só do que mal-acompanhado”, já diria o sábio ditado.

E perdoem este post-desabafo gigante, mas eu estava precisando.

Quem quiser gostar de mim: eu sou assim

2009 Outubro 30
por Vinny

Eu sou assim, quem quiser gostar de mim: eu sou assim
Meu mundo é hoje
Não existe amanhã pra mim
E sou assim, assim morrerei um dia
Não levarei arrependimentos
Nem o peso da hipocrisia

 

Tenho pena daqueles
Que se agacham até o chão
Enganando a si mesmo
Por dinheiro ou posição

 

Nunca tomei parte
Desse enorme batalhão
Pois sei que além de flores
Nada mais vai no caixão

Fonte: Blog “Silêncio e Som”, da Tayra, esposa do Borbs.

Dá para acreditar?

2009 Outubro 29
por Vinny

Eu sou cético, mas às vezes algumas coisas acontecem e me deixam muito cabreiro.

Lembram que eu disse que pretendia ir ao jogo do Flamengo neste sábado agora? Pois é, fui comprar os ingressos hoje. Esgotados.

Cheguei no Twitter e soltei o pedido. Para descobrir que, nove minutos antes, o @danmafra twittou dizendo que tinha um ingresso sobrando. Para a arquibancada, que é exatamente onde eu pretendia ficar. Agora é só ir nesta sexta me encontrar com o Daniel e pegar o ingresso.

Coincidência? Destino? O Universo está conspirando a meu favor? Sei lá, só sei que vou ver o Mengão no sábado. E em excelente companhia… :D

PS.: Que fique registrado: o Daniel Mafra é o meu herói da semana. E eu devo algumas garrafas de cerveja ao @woetter, intermediador do negócio. ;)